13.8.06

A situação repete-se todos os anos e cada vez com maior gravidade. O abandono de animais domésticos atinge o auge nesta altura do ano, mas este flagelo está a deixar de ser um fenómeno sazonal para se tornar um tormento durante todo o ano. Margarida Namora, presidente da União Zoófila, revela um outro pormenor que está a diferenciar 2006 dos anos anteriores: o baixo número de adopções.

As pessoas passaram a abandonar os seus animais de estimação ao longo de todo o ano





“Este ano está a ser muito diferente dos outros. Está descaracterizado”, começou por afirmar Margarida Namora, explicando alguns pormenores: “Em Fevereiro, por exemplo, foi dos piores meses que tivemos no que diz respeito à entrada de animais. Em Maio registámos 23 entradas e em Junho apenas 14. Em Julho voltou a aumentar. Contabilizámos 23.”

Em relação ao interesse das pessoas em adoptar um animal, a análise aos números fornecidos pela União Zoófila mostra que tem existido um decréscimo na procura. Se em anos anteriores eram os animais bebés que tinham maior saída, este ano é, também por aí, uma excepção. “Há dois anos, por volta desta altura, já tínhamos dado muitos mais cães do que este ano, que ainda não demos nenhum. Já nem os bebés têm procura”, refere, revelando alguns números do ano passado: “Curiosamente, em Julho de 2005 tivemos muitas saídas de cães. Adultos foram 21 e bebés foram 12. Este ano, em Julho, saíram nove adultos e seis bebés. A adopção está caótica, quase não existe.”

Uma das razões para o aumento do abandono de animais é, naturalmente, a aproximação das férias, porque muitas pessoas não estão para os levar nas viagens ou, simplesmente, não estão para procurar alguém que tome conta do animal. As soluções existem: além dos vários hotéis para animais, que começam a ser cada vez mais frequentes, há também a iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa que promove o intercâmbio de animais domésticos.

“O abandono de animais é durante todo o ano. Mas a verdade é que, com o aproximar dos períodos de férias, principalmente o Verão, o número de abandonos aumenta significativamente”, conta a presidente da União Zoófila, sem esconder a indignação.

“Existem muitas explicações. Uma delas é o facto de ainda não termos atingido a mesma maturidade de países que incluem os direitos dos animais nas respectivas constituições”, diz Margarida Namora, contando que a situação vivida na União Zoófila é dramática: “Se aceitássemos todos os animais que nos são entregues estávamos perdidos.”

Com uma população residente a rondar os mil animais, dos quais 800 são cães e 200 gatos, Margarida Namora realça outra situação cada vez mais frequente: a devolução de animais adoptados na União Zoofila. “Temos pessoas que, passados quatro ou cinco anos, vêm ter connosco para devolver o animal. Ou o ofereceram a uma criança e ela cresceu e depois não quer tomar conta do animal, ou simplesmente apercebem-se de que dá trabalho e requer muita paciência e atenção. O número de devoluções tem crescido a um ritmo alucinante”, queixa-se.

 

DIMINUI NÚMERO DE VOLUNTÁRIOS

A campanha de intercâmbio de animais promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, em colaboração com a Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais e a SOS Animal, está a ter menos adesão do que em 2005. Segundo fonte camarária, “apesar de a divulgação ser maior, a disponibilidade das pessoas parece ser inferior”, registando-se apenas a inscrição de cerca de duas dezenas. O objectivo é criar uma bolsa de voluntários de forma a cuidarem dos animais nas férias uns dos outros.

Questionada sobre o número de animais capturados nas vias públicas de Lisboa, a mesma fonte confirma o esperado: “Aumenta significativamente com o aproximar das férias”. Quanto à adopção de animais, cães e gatos, o canil municipal de Lisboa fornece aos interessados uma preparação prévia, suportando os custo da desparasitação e da identificação electrónica. A vacinação é da responsabilidade das pessoas que querem adoptar.

CAÇADORES LARGAM CÃES

O abandono de cães na via pública tornou-se numa situação caótica e insustentável que durante o Verão e com a chegada da época da caça ainda é mais evidente, afirma a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais. “Todos os anos é a mesma coisa, mas este ano as coisa tornaram-se caóticas e numas proporções inimagináveis.”

“As pessoas são desprovidas de sentimentos para com os animais e como tal não têm qualquer espécie de problema em abandoná-los. É assim de um modo geral e é assim com os caçadores”, salienta Maria do Céu Sampaio, para quem deveria haver uma forma de fiscalizar rigorosamente se os cães que foram à caça são os mesmos que regressam.

“Os caçadores trocam os cães como quem troca um calendário de bolso, abandonando-os se já não servem para a função ou se estão feridos e ninguém faz nada. As câmaras municipais, as associações de defesa dos animais e até mesmo as forças policiais deveriam ter outro tipo de suporte jurídico para poder actuar. Só assim é que se poderia minimizar esta situação”, diz ainda a líder da LPDA.

Já para o secretário-geral da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários, Eduardo Biscaia, o abandono de cães por parte dos caçadores é uma realidade que se deve em boa parte à actual política cinegética.

“O Governo cria um sistema cinegético de ordenamento que condiciona a prática da actividade a milhares de caçadores portugueses, porque mesmo os portadores de licenças de caça só a podem praticar desde que paguem elevadas quantias de dinheiro aos gestores das zonas de caça que o próprio Governo determinou conceder. Como a crise financeira afecta toda a gente, as primeiras vítimas começam por ser os cães.”

Para este dirigente, em média, qualquer caçador tem dois ou três cães à sua guarda, o que significa uma despesa considerável “em alimentação, cuidados médicos e no ‘chip’. Como ainda tem de pagar quantias exorbitantes para poder caçar, a opção, em tempos de crise, recai no abandono dos animais”, afirma Eduardo Biscaia.

"PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA"

As estradas nacionais são os principais cemitérios de cães abandonados por caçadores. Durante a época de caça muitos cadáveres, sobretudo de raças utilizadas na caça, são vistos nas bermas. “Há animais que se perdem por serem novos. Há outros casos de caçadores que abandonam os cães quando já não são úteis para a actividade”, referiu o capitão Manuel Jorge, relações públicas da Brigada n.º 3 da GNR.

Apesar de não ser fácil identificar os proprietários dos cães, esta força mantém-se atenta à situação, até porque os animais perdidos nas estradas são causadores de acidentes. “A permanência dos cadáveres nas vias rodoviárias torna-se também num problema de saúde pública”, acrescentou.

APONTAMENTOS

CAPTURA E MORTE

Os cães capturados pelas câmaras são recolhidos nos canis municipais, que os guardam por um período mínimo de oito dias. Se os animais capturados não forem entregues aos donos as câmaras anunciam a existência destes animais com vista à sua cedência. Os que não têm a sorte de serem adoptados ficam à mercê da decisão dos responsáveis da autarquia, que podem optar pelo abate, executado pelo veterinário municipal, através de método que não implique dor ou sofrimento para o animal.

A PORCA CAMILA

Um dos animais que mais curiosidade desperta na União Zoófila é a porca, baptizada Camila. “Foi abandonada à porta da embaixada de Israel. No corpo tinha escrito: ‘Judeu = a Porco’. Ficámos com ela e já vieram cá muitas pessoas que, depois de a ver, a quiseram levar, mas ela não sai. É a nossa mascote”, contou Margarida Namora.

BAIXA MORTALIDADE

Desde o início do ano o número de animais mortos na União Zoófila tem sido baixo, registando-se 36 óbitos. Maio, com oito mortes, foi o mês com mais baixas, seguido de Junho, com sete.

VILA DO CONDE

A Câmara de Vila do Conde está a pagar a hospedagem de cães abandonados, em hotéis para animais, por a capacidade do canil municipal estar esgotada. Os animais recolhidos são levados para o canil municipal, cujos serviços administrativos são encarregados de procurar famílias de adopção.

ENTRONCAMENTO

O concelho do Entroncamento criou recentemente uma associação protectora de animais, com a colaboração da câmara.

/ Fonte: Correio da Manhã

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link do postPor *, às 14:18 

De siri a 13 de Agosto de 2006 às 14:48
Continuo sem perceber porque raio as pessoas teimam em adquirir um animal de estimação se verificam antemão que não têm capacidade p o sustentar ou p lhe dar a atenção de que necessita.

Este Verão, além do crescente nº de cães abandonados, verifico tb um crescente nº na população de gatos. Tratando-se de gatos sem qq cuidado, a este nº acresce as crias e jovens - está a assumir contornos de uma verdadeira praga.

Deveria haver um amior controlo na aquisição de animais p que futuramente os donos devam ser responsabilizados, tanto pelos maus tratos como pelo abandono.

De siri a 13 de Agosto de 2006 às 14:51
E se os caçadores têm de ter licenças, na mesma não deveria vir descriminado o n.º de animais com os quais ele vai para a matança (a que eles gostam de chamar de desporto)? Se no livrete vem 3 e ele apenas tem 2, algo se passa, não?

 
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