11.8.06

*Parceria com Espanha Lince-ibérico regressa à serra da Malcata a partir de 2010*
Sandra Invêncio


O Grupo de Reintrodução do Lince-Ibérico já aprovou a criação de um centro de reprodução na Malcata, semelhante ao que já existe no Parque Nacional de Doñana, na Andaluzia

O felino mais ameaçado do planeta, o lince-ibérico, deverá regressar a partir de 2010 àquele que foi o seu último habitat em território nacional: o Parque Natural da Serra da Malcata (PNSM), que já se está a preparar para acolher exemplares, para reprodução em cativeiro, vindos de Espanha. A reintrodução da espécie na Malcata será possível através de um processo de negociações já iniciado entre os dois países, no âmbito do Grupo de Reintrodução do Lince-Ibérico, que reúne técnicos espanhóis e portugueses e que começou a trabalhar o ano
passado.


De acordo com o director do PNSM, Pedro Sarmento, a ideia é criar na Malcata um centro de reprodução natural semelhante àquele que existe no Parque Nacional de Doñana, na Andaluzia, que surgiu na sequência de um programa lançado pelo Ministério do Ambiente espanhol, em 1999, e que centra as atenções do Grupo de Reintrodução do Lince-Ibérico (ver
caixa). O mais recente estudo sobre o lince apresenta "resultados muito maus", diz Pedro Sarmento, sublinhando que já não existe um único exemplar em Portugal e que os últimos do planeta estão todos em território espanhol. Existem, em estado selvagem, uns 30 no Parque
Nacional de Doñana e 110 em Serra Morena, precisa Pedro Sarmento, que é também biólogo e integra o grupo que está a trabalhar na recuperação da espécie.

 


Para já, vai ser criado um segundo centro de reprodução em Espanha, também na Andaluzia, que vai começar a receber linces em Setembro. "E está já aprovada a criação de mais cinco ou seis centros (uns para reprodução e outros para jardim zoológico), de entre os quais está o
da Malcata", revela Pedro Sarmento, adiantando que Portugal só vai receber os primeiros linces para reprodução quando se atingir uma população de 80 a 90 exemplares. Ou seja, refere Pedro Sarmento, quando "os centros que existem estiverem já cheios". "Isto não deverá
acontecer antes de 2010", estima o director do PNSM, ao notar que o centro de Doñana começou a dar os seus frutos no final de Março do ano passado, altura em que nasceram as primeiras três crias de uma fêmea que foi recolhida três anos antes e apenas com um mês de vida. Este ano já nasceram seis, sendo que três não conseguiram sobreviver. Até lá, antes de ser criado o centro português, "vai haver um trabalho muito complexo para fazer", diz Pedro Sarmento. Isto, porque, nota este responsável, "é preciso reunir todas as condições para acolher o lince e ter garantias de que não vai haver ameaças ao desenvolvimento
da espécie na serra da Malcata".

 

Entre as tarefas que o PNSM tem pela frente estão a vedação da área onde os animais serão reintroduzidos, a avaliação de potenciais riscos existentes para a espécie e o povoamento da serra com coelho-bravo, o principal alimento do lince. O processo é complexo porque, explica, será preciso, por exemplo, analisar todas as espécies que existem na Malcata para uma avaliação do ponto de vista sanitário: "Temos de perceber se há doenças e se há
perigosidade".

Quanto ao coelho-bravo, está a ser feito repovoamento há perto de uma década, sendo que este será, por isso, um dos aspectos mais adiantados. Neste momento, existe uma média de 2,5 coelhos por cada hectar do PNSM, enquanto há uns dez anos o número se situava nos 0,3.
"Mas existe uma área de uns 5 mil hectares em que a média está nuns cinco, o que já é suficiente", nota Pedro Sarmento. Este trabalho de repovoamento do coelho-bravo vai continuar, no sentido de aumentar a densidade global do coelho-bravo.


Os últimos vestígios da existência do lince-ibérico na serra da Malcata, que foi o último santuário da espécie no país, datam de 1997. O desaparecimento deste felino é explicado por Pedro Sarmento com a escassa existência de coelho-bravo que existia na altura nesta serra -
uma densidade global de 0,3 por hectare. Há quem acredite que o lince-ibérico desapareceu do país rumo a Espanha, mas Pedro Sarmento diz que a grande distância que existe de outros habitats naturais deitam por terra tal possibilidade. O que aconteceu, diz, foi que o
lince deixou de ter coelhos para alimentar as suas crias, o que fez que não tivessem surgido novas gerações da espécie, tendo os mais velhos morrido. "Para conseguir alimentar as crias, o lince precisava de encontrar uns quatro coelhos por dia", refere o director do PNSM.

*O que é o Grupo de Reintrodução do Lince Ibérico?*

O Grupo de Reintrodução do Lince Ibérico foi criado na sequência de uma recomendação do segundo seminário internacional sobre a espécie, que se realizou em Córdova, em Dezembro de 2004. A primeira reunião decorreu em Março do ano passado, na sede do PNSM, em Penamacor. São cerca de meia centena os técnicos que integram o grupo, entre veterinários, biólogos, especialistas em genética, entre outros, bem como representantes dos Ministérios do Ambiente de Espanha e Portugal - neste caso, a representação é assegurada pelo Instituto de
Conservação da Natureza (ICN). São três os peritos portugueses que integram o grupo.


Fonte: POL nº  5969 | Segunda, 31 de Julho de 2006

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link do postPor *, às 01:38 

De Xica a 11 de Agosto de 2006 às 10:13
Não sou entendida, mas penso q, pelo q se tem visto, nem as reservas e os parques naturais estão a salvo dos incêndios. P não se deitar tudo a perder talvez seja necessário pensar em medidas eficazes de prevenção p a Malcata. É triste, esperemos q resulte-são uns felinos muito lindos.

De Sílvia Gomes----------------------- a 18 de Fevereiro de 2007 às 23:19
como grande adepta de acções de conservação da natureza e do património nacional, e visto que se aproxima o tempo mais quente e, consequentemente, o mais perigoso para a floresta poderiam ser criadas acções de sensibilização e voluntariado para vigilância, manutenção e limpeza destas áreas de tão grande valor. Da minha parte estaria interessada e seriam umas optimas férias "naturais".

 
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