20.2.10

Um dia o tutor percebe que seu bichinho já não consegue  apanhar com agilidade e rapidez o brinquedo  preferido, está com dificuldade para chegar no prato de ração e até começa esbarrar nos móveis e tropeçar nos degraus da escada. Nesta hora a família se dá conta de que seu amiguinho está perdendo a visão e o pânico se instala e surgem as dúvidas: O que fazer? Será que foi a troca de ração? Ou aquele remédio da semana passada? Não devíamos ter usado aquele shampoo nele, deve ter irritado os olhos… Ontem ele não estava assim, o que aconteceu?

Calma! O melhor é manter a calma. O que deve ser feito neste momento é procurar a ajuda de seu veterinário de confiança. Ele poderá, através de exames e testes específicos esclarecer de fato, o que está acontecendo ao seu Pet, e ainda, dependendo do caso, encaminhá-lo para um veterinário especializado em oftalmologia.

O profissional irá avaliar a acuidade visual e as causas da possível cegueira, determinando se a enfermidade é reversível e neste caso indicar o tratamento adequado. Mas e se a cegueira for irreversível? Neste caso, ao veterinário caberá mais uma função: auxiliar o tutor e sua família a aceitar a nova condição do seu companheiro.

É difícil para alguns encarar a realidade de que daqui para frente, a família terá que conviver com um membro deficiente visual e muitas dúvidas surgirão. É possível conviver com um animal cego dentro de casa? Sim, claro! Cães têm capacidade de “decorar” o lugar onde vivem utilizando os outros sentidos, principalmente o olfato. Eles “gravam” mentalmente onde está a mobília, portas e escadas, e, para ajudá-los, existem alguns “truques” que podem ser utilizados.

Evite mudar a mobília de lugar e não deixe objetos espalhados pelo chão, assim evitará que o animal seja pego de surpresa. Marque a mobília, os pés das mesas e cadeiras, a soleira das portas e o primeiro degrau das escadas, com um perfume forte (de preferência, diferente dos usados pelos membros da família). Isso ajudará o cão a se guiar pela casa, desviando dos obstáculos, uma vez que seu olfato é bem apurado.

Procure não mudar o local das refeições dele, e, em casas com piscina, é importantíssimo cobri-la ou evitar que o animal tenha acesso. O ideal é sempre manter contato com o cão através da voz ou por ruídos característicos (de sapato, pulseiras), para que se guie pelos sons e possa localizá-lo mais facilmente. É interessante, também, oferecer brinquedos que tenham sons ou cheiros, afinal, só porque está cego, não significa que não possa se divertir!

Estes pequenos cuidados irão facilitar a vida do seu cãozinho. Na maioria das vezes o cão se adapta rapidamente à cegueira. É mais difícil para os tutores, que ficam penalizados e se abalam mais que o próprio animal. A família deve aceitar o amiguinho, com suas limitações, afinal ele ainda é o mesmo! A palavra chave é readaptação.

Ao adotar um cão, deve-se levar em consideração que ele viverá aproximadamente 15 anos em sua companhia e que é de sua responsabilidade cuidar do seu bem-estar, curtindo as alegrias e enfrentando as adversidades, mas principalmente retribuindo o amor e o companheirismo.

Carla Diele é médica veterinária no Rio – CRMV-RJ 6165

 

Fonte: http://www.anda.jor.br/?p=44631

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